Publicado por: ositiodaminhaembala | Novembro 13, 2010

CRÓNICA “A mnh mbl” na Gz -Novembro 2010-

Uma vez mais adoptámos, fomos adoptados e fizemos da Galiza a nossa “embala”. A minha embala passou uma semana nessa terra que faz com que este projecto seja o que é: uma conexão entre os diferentes lugares de fala galego-portuguesa. E desta vez, como filhos privilegiados.

Chegámos cada um dos integrantes desde Madrid e Barcelona respectivamente para celebrar um grande presente que nos deu esta terra: o prémio do concurso “Musicando a Carvalho Calero” organizado pela Agal (Associação Galega da Língua) e Komunikando.net. A canção Maria Silêncio com letra do poema de Ricardo Carvalho Calero e musicado pela vocalista Aline foi o vencedor. E que alegria ver reconhecido o trabalho e que alegria que graças a esta grande iniciativa em breve verá a luz o primeiro disco de “A minha embala”. Obrigado.

Entre a euforia e felicitações chegámos na terça-feira 3 de Novembro à “Casa das Crechas”, lugar mítico de Compostela onde uma das nossas mecenas, Aitana, abriu-nos um espacinho na programação desse local. E o concerto foi excepcional, não só pela delícia do momento mas também por poder partilhar o palco com duas grandes figuras das música do eixo atlântico lusófono como o são Uxia Senlle e Sérgio Tannus. Todo um privilégio e um verdadeiro prazer disfrutar do talento à guitarra, cavaquinho e percussão de Sérgio e da profunda voz de Uxia; além de difrutar da sua amabilidade e simpatia que celebrámos previamente num almoço e ensaio comum durante a tarde. Mais um obrigado.

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Ao amanhecer do dia seguinte, e pela mão dos demais amigos do projecto, caminhámos pelas ruas de uma Compostela preparada em excesso para a visita de Ratzinguer e saboreámos a sua gastronomia. A cidade luzia encantadora como sempre e descapotada como quase nunca. E assim preparámo-nos para o concerto de quinta-feira na Corunha.

E assim foi, logo de manhã recebeu-nos a baía do Orzán, desde donde se podia intuir a Torre de Hércules e onde nos empapámos com a sua espuma e o seu cheiro. Estava já tudo pronto para voltar uma vez mais à Biblioteca Sagrada Família. Ali nos encontrámos como em casa. E é que aparte do especial que é tocar entre capas e folhas, é especial saber que desde o primeiro concerto na Biblioteca – d’A minha embala, em Março de 2010 – este espaço público continuou oferecendo actuações de todo o mundo todos as quintas-feiras. Obrigado também.

http://www.youtube.com/watch?v=nU8aLqY1Cqc

Pensando já ter acabado a nossa tarefa musical, na sexta-feira 5 de Novembro vêmo-nos num plateau da TVG interpretando em directo Maria Silêncio e Babel. E nós contentes por levar a muitos lares galegos a mensagem da lusofonia ou, como gostamos de chamar, a Galeguia.

Parecia ter diminuido o rítmo trepidante da viagem quando sábado realizámos “O caminho A_Teu”. Duas horas de senderismo com um cariz de protesto social onde mais de uma centena e meia de pessoas nos juntámos para levantar a nossa voz em som de paz e em tom de humor, em resposta à já citada visita do chefe do Estado do Vaticano. Depois da caminhada, uma grande festa onde culminámos esta importante viagem-celebração.

Como sempre, um prazer disfrutar da Galiza e das suas gentes. Obrigado (outra vez) a todas essas pessoas que já sabem.

César

A minha embala

Publicado por: ositiodaminhaembala | Abril 9, 2010

o sítio d’A minha embala foi em Alhariz

Agora então, voltamos.

Mas o regresso acontece pouco a pouco, encaixando as peças. Cada um ao seu lugar – Madrid e Barcelona – caóticas metrópoles, capitais da insónia, das avenidas intermináveis, do ruído constante e do corre-corre. Para trás ficam 4 dias a fazer soar alto a música da lusofonia pelas ruelas da maravilhosa vila de Alhariz, exemplar, cuidada, reivindicativa e encantadora.

A MINHA EMBALA participou no evento “Semana Santa ao vivo” organizado pelo Conselho de Alhariz.
Partilhamos as ruas da vila com mais 3 nomes da música galega:

Cris Veiga y Álvaro Lamas: “From Ferrol to who knows”, este rockeiro de guitarra na mão e harmónica pendurada ao pescoço cantou clássicos do Rock’n’Roll.

Graham Summer (rock, country y folk): De olhos fechados, fazendo soar a fantástica guitarra Gibson, este cantor de Vigo escondia por debaixo do seu chapéu uma voz linda com o charme dos Blues e do Folk americano. Uma simpatia constante além do mais.

Tánghete! (Folk Galego) – Estrearam-se nesta festa e conquistaram o público de Alhariz e forasteiros. Com a energia do folk galego, o som da gaita, clarinete, bombo e contra-baixo não deixaram ninguém ficar parado. Uma forte presença “em palco”, uma simpatia que só visto, um jantar inesquecível e muita vontade de voltar. Grandes músicos, muito boa gente. Obrigada especial a Ana e Miguel, nossos cicerones locais.

E nós ali estávamos. Com a casa às costas subindo a Fonteirinhas, baixando ao Museo do Xoguete, um pouco mais à Praça do Concelho. Com os nossos anfitriões, chefes, organizadores, amigos sempre ao lado a ajudar no que fosse preciso: David, Estela, Eva e Cruz. Gracinhas!!! =)

Não foi a primeira vez na rua dos membros de “A minha embala” mas foi uma prova dura, muitas horas a cada dia, com condições climáticas nem sempre favoráveis, com a garganta e os dedos a doer.

Mas será que existirá algum palco mais sincero que a “rua”?
Dia 2
A minha embala aí estava, com o bater do “cajón” peruano, com o balanço nas cordas da bossa-nova, com os clássicos Tunuka, Lua, Babel, Eu chorar chorei, Bonde do Dom… Muitos são temas que surgiram do primeiro concerto d’A minha embala, no Espai Social Magdalenes dia 4 de Abril. Há um ano, portanto.
Dia 4
Celebramos sem saber, com os aplausos da rua, com o olhar fixo das crianças, com as palavras dos mais velhos, cantando em português, cantando em galego e embalando Alhariz com a lusofonia.

Mais uma prova de como a Galiza é a nossa bwala.

“Eu já quero voltar”.

Kukiela

Publicado por: ositiodaminhaembala | Abril 9, 2010

Crónica Tour Gz março 2010

Cátia Faria e Pablo Blanco – Aline Frazão e César Herranz tomaram, na passada semana, a Galiza como sua embala. Viagem louca ao ritmo de cinco concertos em quatro dias, através das terras galegas de Vigo, Corunha, Lugo e Compostela.
Nós tivemos o prazer de acompanhá-los nesta turné, realizada por inciativa da AGAL, em condição de groupies, roadies, managers, cicerones e, em definitiva, fãs. No final, um sabor amargo de boca por saber a pouco e a vontade gritante de um regresso para já.
“Embala” é uma palavra do português de Angola que vem do kimbundu “bwala”. Uma bwala é uma comunidade, uma aldeia, um bairro. A minha embala é o lugar de encontro de Aline e César, um duo inesperado de uma angolana de Luanda na voz e guitarra e um segoviano de Chañe na flauta transversal e percussão, com a música de diferentes origens e em diferentes línguas no seio da lusofonia.
Aline e César têm pois a particularidade de não serem originários da Galiza. Contudo, ambos, com diferentes sotaques, falam português (César está a começar), sendo esta a língua que utilizaram, na oralidade e na escrita, para gerir a turné, no contacto com organizações e públicos bem diversos do país.
Para quem interage habitualmente com pessoas de países com o português como língua oficial, resulta natural utilizar o galego na comunicação e perceber o português do outro como versão linda e rica do seu próprio português. Mas também é sabido que esta é uma percepção longe de ser familiar à maioria da população galega e, por isso mesmo, a minha embala surpreende. Atraindo galegos e galegas a descobrirem-se linguisticamente competentes fora das fronteiras da Galiza, a minha embala fala por nós. E fá-lo com a naturalidade e a graça necessárias a que todos entendam.
Estamos na Corunha, na Bilioteca Municipal do bairro de Sagrada Familia. Somos recebidos num alegre galego por todo o pessoal da Biblioteca. Mas interagimos com mais pessoas à volta e há quem prefira o castelhano. Aline pode falar um perfeito espanhol, mas perante os convites decide desconseguir, e antes de sair à cena diz que começa a achar piada à brincadeira.
Aline canta e encanta o público da Corunha, e fala claro: “dizem que o galego não é útil mas a mim serve-me para comunicar com vocês”, e à saída, devorados pelas artes de uma embala inesperada e próxima, muitos tiram de 3 em 1 para engraxar o seu galego e conversar com a cantora um bocadinho.
Longe do debate cansado, tudo o que é preciso é conviver. Quem tem a experiência
percebe a evidencia de que falamos a mesma língua. E, mais, conhece a estranha sensação de estar à vontade, como em casa. E essa é a matéria prima de uma comunidade, uma “embala”, que já existe e está aberta ao nós local, surpreendida e cálida, procurando-nos também.
Aline e César dão-se a este encontro e, como se não bastasse, gostam de nós; andam à procura de uma peça de família que lhes faltava e acham que pode ser cá connosco. Aqui, a Norte do Norte. Passeiam de carro pela costa da Corunha, ou pelo tal caminho, de Lugo para Arzúa e ficam algo entre surpreendidos e fantasiados, pensativos e sedados: “será que já somos um bocadinho de aqui?”

Entretanto, nós ficamos a sonhar com o Sul, o nosso Sul, que pode ser Angola, Cabo Verde, Brasil. Um concerto de a minha embala é um autêntico alegato meridional. Ficamos golpeados, bloqueados, cegos pelo sol, mas também acendidos, dispostos a agarrar as malas, prestes a sair comprar tabaco. Galiza tropical sempre palpita, e não faltam vias marítimas abertas ao passaporte galego-português.

Sábado à noite, último concerto; a Gentalha do Pichel homenageia a origem angolana de Aline com a omnipresença da bandeira nacional e uma deliciosa moamba. Aline actua de oradora com o objectivo de fazer-nos aterrar nas muitas caras de Luanda. O seu olhar crítico não apaga, contudo, a sua paixão: “Gostava de levar-vos todos para lá”.

Começa o concerto; um público conquistado de antemão, mas estático pelo stand by de fim de semana compostelano, tenta acreditar que a Aline existe mesmo e que está mesmo a cantar assim. Só um instante porém, até a batida possuída do César provocar as nossas oquedades. Acedemos. Somos, de imediato, assaltados, pela nítida nudez da voz de Aline. Delicada, quente e sem vergonha. Cantamos ou a Aline canta-nos, com o sorriso sincero da descoberta. Entretanto, o César desenha na flauta transversal as mais bonitas narrativas da minha embala, marcando outras com o domínio forte do djembê. Entramos neles e não aceitamos que isto termine. Eles agradecem e levam-nos até um terceiro bis pouco ensaiado. Um presente reservado para o melhor final, uma declaração de intenções, e, porque não, um roteiro para depois do cansaço, da desorientação: “O que eu quero” de André Mingas:

Gente buscando em vão uma esperança
Um sorriso, uma flor, uma palavra amiga
Procurando agarrar hoje o tempo
Falar de amor, de carinho e de paz
Colher jasmim…
Fazer poesia com todas as letras
Contar as estrelas, saudar a vida
E ver os deuses iguais a mim.

Publicado por: ositiodaminhaembala | Março 17, 2010

a minha embala en ALHARIZ 1,2,3 e 4 abril 2010

Quatro dias de música nas ruas de Alhariz

Publicado por: ositiodaminhaembala | Fevereiro 24, 2010

GALIZA TOUR. março 2010

  • QUARTA FEIRA, 3 MARÇO 2010. VIGO  21:00h C.S. A Cova dos Ratos. Romil, 3. Vigo
  • QUINTA FEIRA, 4 MARÇO 2010. CORUNHA

19:30h. Biblioteca Municipal de Sagrada Familia. Antonio Pereira, 1. Corunha
22:00h. A Cova Céltiga. Orzán, 86. Corunha

  • SEXTA FEIRA, 5 MARÇO 2010. LUGO 20:00h.  Escola Oficial de Idiomas de Lugo. Montirón s.n. Lugo
  • SÁBADO, 6 MARÇO 2010. COMPOSTELA 21:00h. A Gentalha do Pichel. Santa Clara, 21. Compostela
Publicado por: ositiodaminhaembala | Fevereiro 24, 2010

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